terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Gastronomia é uma viagem



A hotelaria é a porta de entrada para situar o visitante em seu destino. Este é o momento de recepcioná-lo com uma amostra dos sabores do local. Se estiver no Brasil, o recém-chegado deveria se surpreender, desde o cafezinho na portaria ao café da manhã.  Seja qual for a refeição, a experiência gastronômica deve ser  tão instigante quanto os passeios programados pelos pontos turísticos da cidade. A cozinha do hotel pode servir de guia para conhecer a região visitada. A gastronomia é parte importante da hospitalidade. É capaz de acolher o turista  e tornar seu roteiro inesquecível.  No país, não faltam motivos para impressionar quando o assunto é comida.  Cada cultura é um banquete de ingredientes e receitas inéditas. Com a realização dos eventos esportivos entre 2014 e 2016, a preocupação com este serviço está no foco das políticas públicas. Em junho de 2011 o Ministério do Turismo (MTur) lançou um sistema de classificação para hotéis chamado SBClass, por meio da Portaria 100. Trata-se de um instrumento de referência para orientar as escolhas do consumidor. Numa escala de 1 a 5 estrelas, os estabelecimentos serão enquadrados de acordo com a infra-estrutura física e os serviços oferecidos.  Entretanto, no quesito Alimento e Bebidas, o sistema priorizou um modo de comer globalizado, colocando em segundo plano as tradições locais. A condição para se obter as cotações máximas ( 4 e 5) é ter restaurante com cozinha internacional, caso dos Resorts. A pontuação máxima  ainda  exige  preparação de dietas especiais, como vegetariana ou hipocalórica; serviço diferenciado para crianças, como o cardápio; e bar 24 horas ininterruptas. A cozinha brasileira não faz parte dos requisitos obrigatórios neste meio de hospedagem. Só no caso de Hotel é que as 5 estrelas dependem também de um cardápio regional ou típico.  Já em Hotel Fazenda e Hotel Histórico é obrigatório ter opções de comida típica para ser considerado  top, segundo o SBClass. Nessas modalidades,  a cozinha internacional é opcional. A classificação, que prioriza restaurantes com gosto padronizado  e limita a brasileira ao cardápio, causou estranhamento à chef Mônica Rangel. De acordo com ela, a culinária nacional e suas regionalidades devem ser prestigiadas e bem cotadas na rede hoteleira.  “É claro que é necessário ter receitas variadas de outras culturas, mas não deve ser a base da cozinha voltada para hotéis”, afirma, dizendo que em uma das viagens ao Nordeste sentiu falta de uma tapioca no café da manhã. O presidente da Embratur, entidade responsável pela Política Nacional de Turismo, Flávio Dino, justifica que a Portaria não prejudica as ações de valorização da culinária local. “É um sistema com padrões internacionais de classificação que permite o turista escolher a hospedagem de acordo com as suas necessidades”, explica. De acordo com Dino, a valorização do patrimônio, da cultura e da culinária nacionais é essencial para a promoção do Brasil no exterior.

Brigada de elite

Foi pelas redes sociais que Mônica começou a mobilização, questionando as regras do Sbclass. Ela decidiu ir a campo e conseguiu uma audiência com o presidente da Embratur. A chef, que há 18 anos comanda o restaurante Gosto com Gosto, em Visconde de Mauá (RJ), obteve a primeira vitória com sua inquietação. Em parceria com a entidade, vai liderar um plano de ação para mostrar o que o Brasil tem, além do futebol, do samba e da caipirinha.
A líder vai montar uma brigada de elite para representar o país em feiras internacionais, como Mistura (Peru) e Gastronomika (San Sebastian). No Rio de Janeiro, já se reuniu com Thomas Troisgros e Roberta Sudbrack, que já se alistaram para a empreitada. A visita a São Paulo  é a próxima tarefa na agenda. Cerca de 15 cozinheiros serão convidados. A lista oficial ainda não foi confirmada.
Até o momento estão planejados 17 destinos para apresentar as faces da comida brasileira. Junto com a Embratur, Mônica irá ajustar o itinerário do time. Dino destaca o protagonismo da cozinha nacional no exterior. “Queremos que também seja um de nossos cartões postais internacionalmente, colaborando com a promoção turística do Brasil ”,  declara. O incentivo à divulgação  no mercado internacional motivou o encontro com a chef, explica o presidente. Em 2011, durante o evento Semana Mesa SP (Prazeres da Mesa e Senac SP), a entidade trouxe jornalistas especializados de dois veículos norte-americanos. “Na ocasião, os profissionais visitaram os principais pontos turísticos de São Paulo, principalmente os ligados à culinária, como restaurantes renomados e o Mercado Municipal. Ações como essa têm grandes chances de despertar o interesse de estrangeiros em conhecer o Brasil e em provar nossa culinária típica”, ressalta.

 Gastronomia e turismo

O vínculo entre gastronomia e turismo tem no chef de cozinha um grande aliado. “Somos formadores de opinião, não só do gosto. Temos outras aptidões e o engajamento desses profissionais é fundamental para a cultura gastronômica de uma nação. Precisamos nos mexer, mobilizar pessoas e mostrar o que há de melhor por aqui”, desafia a mineira bem humorada, com seu habitual sorriso largo. Como exemplo, ela cita o movimento que o chef Gastón Acurio fez no Peru, unindo governo, sociedade e toda a classe de profissionais ligada à alimentação. “Quero dar o meu sangue para esse processo dar certo”, completa.  Dino concorda que é necessário a aproximação com  os cozinheiros para inseri-los nessa parceria pelo turismo gastronômico.   Em visita à Alagoas, no restaurante Picuí, do chef Wanderson Medeiros, a chef recebeu mais um incentivo. O publicitário Juan Cordobán, da Gastrô Comunicação,  se encarregou de criar a identidade visual da campanha. O slogan traz a seguinte ideia: “Ter cinco estrelas é valorizar a gastronomia brasileira”. “Quando soube do projeto quis participar, pois atuo no segmento de comunicação para este setor, e a articulação na mídia é  importante para trazer valor a nossa cultura e economia local”, explica o publicitário. Na internet, a líder mantém um abaixo-assinado em prol da valorização da gastronomia brasileira. Já são 706 assinaturas. Para aderir a causa, clique aqui. O ano de 2012 já começou com a missão de trazer mais visibilidade aos tesouros culinários de uma país, que é considerado o celeiro do mundo.

Revista Malagueta
Texto: Juliana Dias
Fotos e edição de imagens: Carolina Amorim

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Gastronomia: profissionalizando uma arte!


Muita gente cozinha por prazer e considera a tarefa um ritual artístico. E é isso mesmo. Cozinhar é uma arte que exige inspiração para criar novas combinaçõesde sabores, aromas e cores. Montar um prato é como pintar um quadro ou decorar um ambiente. Tudo deve ser harmonioso e belo, afinal comemos com os olhos. Mas, algumas pessoas gostam tanto do hobby que o transformam em profissão. E para quem quer ser chef é cada vez mais importante se formar em Gastronomia e buscarespecializações em países onde a culinária é rica e desafiadora. Por isso, hoje vamos falar um pouco mais sobre essa profissão!
O que é Gastronomia?
A gastronomia abrange a culinária, as bebidas, os materiais usados na alimentação e, em geral, todos os aspectos culturais a ela associados. Um gastrônomo(gourmet, em francês) pode ser um(a) cozinheiro(a), mas pode igualmente ser uma pessoa que se preocupa com o refinamento da alimentação, incluindo não só a forma como os alimentos são preparados, mas também como são apresentados, por exemplo, o vestuário e a música ou dança que acompanham as refeições. Por essas razões, a gastronomia tem um foro mais alargado que a culinária, que se ocupa mais especificamente das técnicas de confecção dos alimentos.
O que um profissional dessa área pode fazer?
Além das oportunidades tradicionais de atuação, como as cozinhas de restaurantes, novos ramos estão surgindo. Um deles é a consultoria gastronômica, na qual o profissional é contratado para modificar cardápios de restaurantes, treinar funcionários e prestar assessoria técnica ao empreendimento.
Também em ambientes hospitalares se abre uma nova frente de atuação. Os cuidados na recuperação de um paciente são melhor obtidos com um cardápio específico. Outro novo perfil é o do personal chef, contratado para ir à residênciado cliente e criar um jantar privado, por exemplo, ficando responsável pelas compras e preparo dos pratos.
Como está o mercado?
Com o fortalecimento das atividades de turismo, abriu-se um nicho de mercado emforte expansão. No entanto, a profissão é relativamente nova no Brasil, com o primeiro curso instalado em 1994, em São Paulo, e justamente por essa razão é tãoimportante experiência em outros países, onde o estudo da gastronomia já é bem mais avançado. Além disso, a área tem atraído cada vez mais jovens, o que aumentou a concorrência do setor. Mas, ainda assim, as oportunidades são boas para esse profissional.
Um número cada vez maior de brasileiros almoça em restaurantes, assim como opta por sair para jantar ao longo da semana, e isso aqueceu o mercado. Aremuneração é atrativa. Os recém-formados em Gastronomia têm média salarial entre R$ 1.200 e R$ 1.500. Para cozinheiros mais experientes, a remuneração pode variar entre R$ 4.000 e R$ 5.000. Profissionais já renomados no mercado podem atingir ganhos mensais acima de R$ 10.000.
Dicas para os interessados
Para se destacar é preciso conhecer o setor gastronômico brasileiro e mundial, assim como ter uma visão geral da estrutura de uma cozinha, incluindo confeitaria, padaria e gestão. Saber sobre o mercado de vinhos é um diferencial. Na área de gestão, relacionamento interpessoal afinado é importante, pois vai lidar comgarçons, recepcionistas, clientes, atendentes, etc. Experiência na área e a realização de estágios durante o curso também são fundamentais, em especial a prática emrestaurantes, como ajudante ou estagiário.
E aí, se interessaram pela profissão?
Fonte: 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Cajuína, bebida popular no PI, ganha versão orgânica

Cajuina
A cajuína, a bebida mais popular do Piauí, ganha agora uma versão orgânica. O suco bem leve de caju, com muitos nutrientes, começa agora a fazer sucesso no resto do país.

A bebida não é um refrigerante. Ela não tem gás. É um suco de caju mais leve, porque é feita sem o tanino: é o tanino que deixa aquela sensação de “garganta travada”.

No Piauí, a população comemora a safra do caju. A castanha é vendida para o mundo inteiro e o fruto é usado para produzir a bebida mais popular da região - a cajuína - 400 fábricas fazem 4 milhões de garrafas por ano.
Só uma produz cajuína orgânica. É a empresa do engenheiro agrônomo Josenilto Lacerda Vasconcelos. “A cajuína tem um índice de aprovação de mais de 80% para quem prova pela primeira vez. E pelas qualidades nutricionais. Nós estamos caminhando para uma época de valorização dos alimentos funcionais. E a cajuína é um alimento que se enquadra perfeitamente dentro desse conceito”, avalia o empresário.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) atende a 70 empresas rurais. Elas foram capacitadas em gestão e qualidade.

“O Sebrae está buscando dar esse apoio através de consultorias, cursos, treinamentos, organização dos produtores, onde principalmente buscamos trabalhar a questão de fortalecer as cooperativas, a união dos produtores, para que eles possam ter um ganho maior através da redução de custos e de acesso a mercado”, disse Élcio de Lima Nunes, do Sebrae de Parnaíba. A fábrica de bebidas participa do projeto de fruticultura do Piauí. “O Sebrae incentiva a certificação, incentiva produtos nobres como no caso da cajuína, (...) que tem a cara do Piauí. E dentro desse trabalho nós também trabalhamos a questão da indicação geográfica, para todo o Piauí, que esse vai ser o grande diferencial da nossa cajuína em todo Piauí”, diz o especialista.
Para conquistar os consumidores, o empresário foi atrás da fórmula perfeita. Ele fez vários testes - e alcançou o melhor sabor com a mistura de três espécies de caju. “Ela dá um sabor específico. Um sabor bem característico da nossa cajuína em relação à cajuína de outras regiões”, diz o empresário Vasconcelos. “Fica um sabor mais leve, na verdade. Um sabor mais delicado. Essa é a diferença da nossa cajuína em relação a outras marcas.”

Preparar essa mistura dá algum trabalho. As frutas são colocadas em um tanque. Uma solução de água clorada elimina fungos e bactérias. Na linha de produção, o caju é triturado e filtrado. Depois, é só encher as garrafas. Em um tacho, a cajuína chega ainda transparente. A temperatura da água é de cem graus. O calor carameliza a frutose - que é o açúcar da fruta. Depois de 150 minutos, a bebida fica amarela. E está pronta para o consumo. O processo inteiro de produção leva apenas seis horas. Isso garante uma cajuína com alto teor de vitamina C.

“A cajuína tem cinco vezes mais vitamina C do que um suco de laranja, por exemplo. Um copo de cajuína supre a necessidade diária de vitamina C de um adulto em duas vezes e meia, além de cálcio, fósforo, ferro e outros nutrientes que existem em quantidade menor”, diz o empresário.

As qualidades agregam valor ao produto. E, com a certificação orgânica, subsidiada pelo Sebrae, o preço da cajuína aumenta 20%. “A partir do momento em que você se propõe a certificar um produto, você está buscando a qualidade, você está mostrando realmente que tem que atender a padrões. E esses padrões vão levar à qualidade que o público hoje está exigindo, que o mercado está exigindo”, afirma Nunes, do Sebrae.

A fábrica produz 40 mil litros da bebida por ano. O Sebrae leva a cajuína para feiras no Brasil e até no exterior, mas a maior parte da comercialização ainda é feita no Piauí, em 2.500 pontos de venda. Nas praias, só dá ela – a cajuína.

“Sempre que eu saio, eu peço sempre uma cajuína para acompanhar uma refeição, numa praia, to sempre tomando”, diz Reginaldo Trindade, consumidor.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/pme/noticia/2012/01/cajuina-bebida-popular-no-pi-ganha-versao-organica.html

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Confraria do Empreendedor chega à Maceió e Reúne os Melhores do Setor


O empreendedorismo deixou de ser tendência e firmou-se como marca registrada do caminho para o sucesso. Foi com essa perspectiva que a Confraria do Empreendedor foi idealizada, um ambiente informal será o celeiro de grandes ideias e iniciativas. A inauguração acontecerá nesta quinta-feira, 26, às 19hs no Café & Cultura.
Foi considerando o crescimento exponencial do empreendedorismo que a Confraria foi criada. O bate papo mais empreendedor da cidade terá data certa para acontecer. Marque em sua agenda: toda última quinta-feira do mês, no Café & Cultura.
O evento traz uma pegada diferente para a região, onde especialistas, interessados e curiosos, poderão bater um papo sobre StartUps, case de sucesso, boas e más experiências de gestão e empreendedorismo. Aproveite, sua chance de trocar experiências e aprender com os melhores chegou!

Novidade
Na oportunidade acontecerá também o lançamento de um novo site nacional de compras coletivas, O Menu da Hora, e-commerce exclusivo para gastronomia. Os idealizadores Juca e Deia Costa estarão presentes e falarão desse novo sucesso. Eles também prometem muitas surpresas e novidades para quem comparecer.

 Realização e Apoio
A Confraria do Empreendedor conta com uma realização do BusinessUp, BlueVox, FATORH Consultoria, Alberto Antunes e Café&Cultura.
O apoio fica por conta da RGB, Socioteca.com e do Movimento Alagoas Competitiva – MAC, que atua na mobilização e articulação dos agentes da sociedade, com foco em ações de Boas Práticas de Gestão e melhoria de processos produtivos que respeitem o meio ambiente e promovam o desenvolvimento sustentável, seja ele econômico, social, ambiental e tecnológico através da utilização do Modelo de Excelência da Gestão (MEG). A Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) é uma grande parceira do MAC e o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade é destinado a melhorar os   níveis de produtividade, confiabilidade e qualidade em diversos setores, gerando desenvolvimento e crescimento em âmbito nacional.
Alberto Antunes




 Serviços: Informações: 9944-8338


Lançamento na Confraria do empreendedor











Por Vítor Luz - http://vitorluz.wordpress.com/2012/01/23/confraria-do-empreendedor-chega-a-maceio-e-reune-os-melhores-do-setor/

domingo, 22 de janeiro de 2012

História do chocolate - 1 parte



                                                                                                        O CACAU CHEGA AO BRASIL
 A origens dos deuses



"Theobroma", do grego, quer dizer "alimento dos deuses". Este é o nome de batismo do chocolate, que aconteceu em meados do século 18. O padrinho foi Carlos Linnaeus, um botânico sueco que conhecia muito bem a trajetória do chocolate através da história dos povos.

Mas essa história não é da época de Lennaeus. É bem mais antiga. Começou há séculos atrás, com as civilizações asteca e maia, na América Central, mais precisamente onde hoje ficam os territórios do México e da Guatemala.  
Lá no México, os astecas cultuavam o deus Quetzalcoatl. Ele personificava a sabedoria e o conhecimento e foi quem lhes deu, entre outras coisas, o chocolate. Os astecas acreditavam que Quetzalcoatl trouxera do céu para o povo as sementes de cacau. Eles festejavam as colheitas com rituais cruéis de sacrifícios humanos, oferecendo às vítimas taças de chocolate.

Um dia, Quetzalcoatl ficou velho e decidiu abandonar os astecas. Partiu em uma jangada de serpentes para o seu lugar de origem - a Terra do Ouro. Antes de partir, porém, ele prometeu voltar no ano de "um cunho", que ocorria uma vez a cada ciclo de 52 anos no calendário que ele mesmo criara para os astecas.  

O chocolate Maia



Enquanto isso, por volta de 600 a.C., os maias, que também conheciam o chocolate, estabeleciam as primeiras plantações de cacau em Yucatan e na Guatemala.

Considerados importantes comerciantes na América Central, eles aumentaram mais ainda suas riquezas com as colheitas de cacau. Acontece que em toda aquela região a importância do cacau não residia apenas no fato de que dele se obtinha uma bebida fria e espumante, chamada "tchocolath" (água amarga). O valor do cacau também estava em suas sementes que eram usadas como moeda. Na época, por exemplo, um coelho podia ser comprado com oito sementes e um escravo, por 100.

Até então, o cacau e seu precioso produto, o chocolate, só circulavam pelos rituais, banquetes e o comércio na América Central. Passaram-se séculos. Em 30 de julho de 1502, o navegador Cristóvão Colombo, achando que tinha descoberto as Índias, baixa âncoras em frente à ilha de Guajano, na América Central. Uma majestosa piroga aborda a caravela de Colombo. 




O chocolate chega à Europa

Molinillo - batedor de madeira usado para mexer a bebida de cacau, tornando-a homogênea e espumosa.

Passaram-se mais dezessete anos. Em 1519, o explorador espanhol Fernão Cortez e seus seiscentos soldados desembarcam no México, pretendendo conquistá-lo. Fazem os preparativos para o combate. Mas, para surpresa geral, o imperador asteca Montezuma e seus súditos os recebem com cordialidade.

Vítimas de sua própria lenda, eles crêem que Cortez é a reencarnação do bondoso deus Quetzalcoatl. Acontece que 1519 coincidia com o ano de "um cunho", no calendário asteca - o ano que Quetzalcoatl prometera voltar.

O povo alegre festeja e o imperador acolhe Cortez com um grande banquete regado com taças de ouro cheias de "tchocolath". Mas a desilusão não tarda a chegar: o suposto Quetzalcoatl, aquele que havia dado o chocolate a seu povo, parecia não o ter bebido antes e nem mesmo gostar dele. É óbvio, o "tchocolath" não era a bebida agradável de hoje. Era bastante amarga e apimentada. As tribos da América Central geralmente o preparavam misturando com vinho ou com um purê de milho fermentado, adicionado com especiarias, pimentão e pimenta. Naquela época, o chocolate era reservado apenas aos governantes e soldados, pois acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, ele dava força e vigor àqueles que o bebiam. 


Cortez, sem dúvida, ficou muito impressionado com a mística que envolvia o chocolate e mais ainda com o seu uso corrente. Assim, com o intuito de gerar riquezas para o tesouro de seu país, ele estabelece uma plantação de cacau para o rei Carlos V, da Espanha. E, como bom negociante, começa a trocar as sementes de cacau por ouro, um metal indiferente àqueles povos. Os espanhóis aos poucos se acostumavam com o chocolate e, para atenuar o seu amargor, diminuíam a proporção de especiarias e o adoçavam com mel. Já o rei Carlos V tinha o hábito de tomá-lo com açúcar.

Um ano depois, Cortez responde com traição à acolhida que recebera do povo asteca. Prende o imperador Montezuma atrás das grades e invade suas terras. Tanto Montezuma quanto seu sucessor são assassinados pelas tropas de Cortez e o México passa a ser colônia espanhola, permanecendo nesta situação por trezentos anos. 


Rapidamente, o chocolate se espalha entre a família real e os nobres da corte espanhola. Cortez levara para a Espanha todo o conhecimento daquelas tribos primitivas de como lidar com o cacau e preparar o chocolate.

Sabia como colher, retirar as sementes dos frutos e depois espalhá-las ao sol para fermentar e secar. Sabia, também, que elas deviam ser assadas sobre o fogo e depois esmagadas em uma gamela de pedra, até se obter uma pasta aromática, a qual era misturada com água para se chegar à bebida.

Na Espanha, as cozinhas dos mosteiros serviam como local de experiência para o aprimoramento do chocolate e a criação de novas receitas. Os monges aperfeiçoaram o sistema de torrefação e a moenda do chocolate, transformando-o em barras e tabletes para serem dissolvidos em água quente, como era apreciado nos salões aristocráticos.

Durante todo o século 16, porém, os espanhóis conservaram para si esta preciosa iguaria, não querendo compartilhá-la com outros países. No entanto, seus planos foram por água abaixo em meados do século 17, quando começaram a vazar as primeiras informações sobre o chocolate. Os viajantes vinham a Madri e o bebericavam. Os monges davam-no para provar aos visitantes de outros países. Os marinheiros, como ouviam falar dele, ao capturar uma fragata espanhola desembarcavam as sementes de cacau e as levavam às suas terras. Rapidamente, espalham-se plantações de cacau pela Europa, América do Sul e Índias. O chocolate se converte em bebida universal. 


O casamento, em 25 de outubro de 1615, do rei Luís XIII, da França, com a infanta da Espanha, Ana da Áustria, sela a conquista do chocolate na França. A pequena rainha, de apenas 14 anos, adorava chocolate e trouxera da Espanha tudo o que era necessário à sua preparação.

E os cortesãos, para ganhar a sua simpatia, adotaram a sua bebida preferida. Ela passou a fazer parte da corte. Tanto é verdade que um dos convites mais requisitados em Paris era "para o chocolate de Sua Alteza Real".

Já em 1657, surge em Londres a primeira loja de chocolate. Em 1660, o filho de Ana da Áustria, Luís XIV, que subira ao trono, casa-se com outra princesa espanhola, Maria Teresa. Esta segunda união ibérica acaba firmando de vez o domínio de chocolate na França. A corte comentava que Maria Teresa, uma esposa devotada, tinha duas paixões: o rei e o chocolate.

Enquanto a monarquia solidificava o hábito de consumir chocolate na França, outros países também começavam a se interessar por ele e a procurar pela sua própria fonte de suprimento. O governo espanhol mantivera o comércio de chocolate fechado até o século 16. E, para sustentar o seu monopólio, estabelecera taxas pesadas de importação, de forma que ele permanecesse ainda durante muito tempo uma bebida apenas das classes privilegiadas. Como se não bastasse, os estoques de sementes de cacau da Espanha eram limitados.A França, por exemplo, muito interessada em suprir seu consumo, começou a cultivar cacau em sua ilha nas Índias Ocidentais, a Martinica. Enquanto isso, ele era introduzido nas ilhas de Jamaica, Trinidade e São Domingos. Mais tarde, chegava às Filipinas e outras regiões da Ásia.

Por correio gourmand








quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A força de uma marca por Sérgio Frota


A marca de uma empresa ou de um produto é muito mais do que o conjunto formado por nome, logotipo, identificação visual, publicidade, slogans, etc.

A verdadeira marca é a imagem que está impregnada em nossas mentes e corações. É o que sentimos quando nos lembramos de uma empresa ou de um produto. A marca é o que a empresa ou o produto marcaram em nossas mentes e corações através de sua comunicação com o mercado, como conseqüência de seu comportamento e de seus atos. É a imagem que fixamos através da forma como a empresa, ou o produto, interagiu conosco.

Podemos dizer que coisas como um nome bem pensado, design bonito, slogans bem elaborados, comunicação bem feita e atitudes socialmente corretas são importantes e ajudam muito, mas, além disso, o que marca mesmo nossa mente e nosso coração é o respeito que a empresa demonstra pelo Cliente fazendo com que a qualidade e o atendimento se ajustem às expectativas criadas.

Conhecemos muitas empresas e produtos, ou até mesmo instituições, que vêm sempre às nossas lembranças por suas atitudes positivas que são passadas de boca a boca, ou melhor, de boca para ouvido. Esse é o caso, por exemplo, do Corpo de Bombeiros que não precisa fazer marketing para vender seus serviços. Eles não vendem os serviços, nem nós queremos comprar os serviços do Corpo de Bombeiros, mas nos sentimos seguros sabendo que eles são eficientes.

Existem, evidentemente, muitas outras instituições e empresas que são tidas como exemplos de qualidade, que têm aura de qualidade. E, se nós nos propusermos a analisar e a entender as razões desse sucesso, vamos notar que a presença de alguns pontos em comum entre elas, mas, acima de tudo vamos notar que elas têm o respeito ao consumidor como uma característica muito marcante e sempre presente em suas atitudes.

O respeito é demonstrado através da oferta de produtos ou serviços feitos com tecnologia adequada, boas matérias primas e bons insumos. Mas, além disso, as empresas que fazem a diferença são aquelas que valorizam seus Recursos Humanos, que respeitam seus Colaboradores, que convivem harmoniosamente com seus Fornecedores e Parceiros. São empresas que respeitam a Comunidade onde interagem. Valorizam a manutenção de uma boa imagem institucional e investem nas relações pessoais e estreitado os laços e acreditando no alto valor das relações duradouras e sabem que isso é conquistado com ações concretas e atitudes leais.

Existem, evidentemente, inúmeros exemplos que eu poderia dar. No campo dos Serviços Públicos eu mencionei o Corpo de Bombeiros mas poderia falar de muitos outros, no Brasil ou fora de nosso país. Entre as empresas privadas seriam inúmeros os exemplos possíveis, mas vamos ficar no campo da Gastronomia que é o alvo do Correio Gourmand.


Eu venho trabalhando há vários anos na indústria de equipamentos para Cozinhas Profissionais, portanto muito próximo da atividade de Gastronomia. Venho acompanhando o desempenho de empresas e instituições que participam desse segmento, dentre elas a ABAGA - Associação Brasileira da Alta Gastronomia - que se propõe a incentivar o desenvolvimento e divulgação dessa atividade no Brasil e também a ELVi, fabricante de equipamentos para Cozinhas Profissionais.



A ABAGA nasceu há pouco mais de 12 anos pelas mãos de Chefs, todos estrangeiros, formados em seus países de origem e que vieram para o Brasil a convite de grandes redes hoteleiras internacionais. Esses 5 homens são o suiço Christophe Besse, os franceses Emmanuel Bassoleil e Laurent Suaudeau (seu primeiro presidente), o argentino Jorge Monti (seu atual presidente) e o italiano Luciano Boseggia que sentiram essa necessidade quando, em meados de 1994, resolveram por conta própria, enviar um representante brasileiro para participar do Bocuse d'Or 95. Hoje, a ABAGA é uma realidade e desempenha um grande papel em nossa Gastronomia.

Hoje, eu cuido da área de Expansão Comercial da Elvi, para onde fui atraído pelo bom pacote de atitudes de construção e fixação da marca adotado por essa empresa que tem uma bela história e é fruto do sonho do sonho de um jovem espanhol que se mudou para o Brasil em busca de uma nova vida e da realização de seus sonhos. Ao longo de 40 anos, a empresa construiu uma marca sólida, respeitada no mercado e sinônimo de qualidade de produtos e atendimento.

Mas, conseguiu como? Evidentemente que com muito trabalho, mas, sobretudo, com uma política clara de respeito, não apenas por seus Clientes, mas, também, por seus Colaboradores, Fornecedores e pela Comunidade de forma geral. Esse respeito se traduz em fábricas bem montadas e bem equipadas, no emprego de matérias primas e insumos industriais de qualidade adequada aos produtos que vende; tecnologia acima da média do mercado brasileiro; Colaboradores estimulados e bem treinados,  e um estreito relacionamento com a comunidade em que vive e com a comunidade de negócios de que participa.

Assim, ao pensar em construir sua marca, lembre-se que seu sucesso vai muito além do layout que vai representá-la e empenhe-se em atender a todos os quesitos que a farão consolidar-se no mercado.

  Fonte: http://correiogourmand.com.br/info_marketing_03.htm