domingo, 23 de setembro de 2012

Alimentos deverão atingir preços recordes em 2013

Os preços globais dos alimentos devem atingir níveis recordes em 2013 devido à seca em áreas produtoras    ao   redor do    mundo    e     aos   estoques    apertados   de   culturas   intensivas de alimentação, como a dos grãos, afirmou nesta quarta-feira o Rabobank. Segund o o banco, essa situação deve se traduzir   em preços elevados principalmente para a carne, seja   bovina, suína ou ovina.


O índice de preços de alimentos das Nações Unidas, que mede a variação mensal dos preços internacionais de uma cesta de commodities alimentares, pode subir 15% e atingir 243 pontos até o fim de junho de 2013. Esse número seria superior ao recorde de 238 pontos verificado em fevereiro de 2011.

No mês passado, o índice atingiu 213 pontos. Os temores são de que ocorra uma nova crise alimentar no mundo, a terceira em apenas quatro anos. Para Luke Chandler, chefe global em pesquisas de commodities agrícolas do Rabobank, "o impacto da alta dos preços (da carne) deverá ser menor para consumidores mais pobres, que devem trocar o consumo de proteína animal por grãos como arroz e trigo".

Já "em economias desenvolvidas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, onde a elasticidade de preços entre carne e milho é baixa, o efeito da alta dos grãos será sentido por mais tempo". O Rabobank disse ainda que a pressão inflacionária sobre os alimentos só não é maior por conta do fraco crescimento econômico mundial, dos preços mais baixos para a energia e dos custos reduzidos com frete.
Produtores de carne ao redor do mundo foram prejudicados neste ano pela escalada dos preços dos grãos, em especial milho e farelo de soja, dois dos insumos mais utilizados em ração animal. As informações são da Dow Jones.

Fonte: Agência Estado
Retirado do site da Abrasel Nacional

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O MERCADO GASTRONÔMICO BRASILEIRO HOJE




A partir dos anos 80, a Gastronomia viveu uma verdadeira revolução no Brasil. Saímos de um cenário estagnado, com restaurantes muito parecidos em que imperavam pratos regionais e receitas estrangeiras mal adaptadas, para chegamos ao novo milênio com um leque de ofertas que engloba uma boa mostra da culinária mundial.
Ficaram no passado os cardápios insossos em criatividade, limitados nos ingredientes pelas restrições e taxas de importação e, no preparo, pela pouca técnica daqueles que heroicamente se tornaram cozinheiros na boca do fogão. Hoje, temos acesso a produtos do mundo inteiro e, nas nossas cozinhas comerciais, atuam um número cada vez maior de profissionais com formação acadêmica específica, adquirida no exterior e/ou, também, nas escolas e cursos profissionalizantes de Gastronomia que continuam a surgir no País. A cada dia, come-se melhor por aqui.
Os restaurantes também mudaram. E não apenas na comida e no visual. De negócio familiar, administrado empiricamente pelos donos, passou a ser encarado e administrado como empresa e a cozinha deixou de ser lugar damama  para ser comandada por um profissional do ramo. Todas essas mudanças, que começaram pelos restaurantes de luxo, não ficaram restritas às casas estreladas, espalhando-se de forma generalizada. As churrascarias são um bom exemplo disso. Mesmo os restaurantes de cozinha regional, guardiões da tradição e geralmente avessos a qualquer tipo de mudança, foram afetados pela nova onda. Ou seja, mesmo quem continua cozinhando a mesma coisa, o faz de forma diferente, mais apurada.

O aumento da oferta
A mudança não ficou restrita aos cardápios e aos restaurantes e pode ser sentida em várias outras áreas, a começar pelos próprios ingredientes. Os supermercados, que no início dos anos 80, tinham em média 1.500 itens de alimentação nas prateleiras, têm, hoje, mais de 8.000 itens. Na barraca de peixes da feira, onde predominavam tainhas, pescadas e sardinhas, agora encontramos salmões, bacalhau fresco, linguados, lulas e mariscos de diversas procedências. Muito se deve à abertura das importações, mas, muito, também, ao desenvolvimento da indústria alimentícia brasileira e ao trabalho de uma nova geração de pequenos e médios produtores de artigos para Gastronomia que vêm oferecendo uma série de ingredientes sofisticados made in Brazil.
O mercado editorial também é um segmento que demonstra bem a extensão dessa transformação. Os títulos relacionados à Gastronomia vêm liderando os lançamentos e estão entre os mais vendidos. Os editores, oferecem opções para todos os gostos, em edições que vão desde as de bolso até as de luxo, e com tiragens raramente inferiores a 6.000 exemplares, muito acima da média nacional. Mas, nem só os livros vêm atendendo à demanda de informação e formação do mercado. Os canais de comunicação também se ampliaram. Diversas revistas especializadas, inúmeros programas de TV e mesmo de rádio, além das páginas de Gastronomia dos jornais e da Internet, estão à disposição do público.
Outra importante vertente da transformação por que passou, e segue passando, a Gastronomia do Brasil é a quantidade e variedade de eventos gastronômicos - festivais, apresentações, exposições, congressos, feiras de negócios, debates, concursos - que, também, acontecem de norte a sul. Cada vez mais segmentados, esses eventos atraem milhares de pessoas e geram mais que dinheiro e empregos, geram informação, agitando o mercado e contribuindo objetivamente para a disseminação de uma cultura gastronômica e para a formação e o aperfeiçoamento dos profissionais e dos consumidores do País.

O papel do consumidor

Mas nada disso teria acontecido se o consumidor não tivesse mudado também, e muito. Hoje, os brasileiros estão exigentes, têm o paladar mais apurado, provam sabores que antes eram inacessíveis ou desconhecidos e gostam muito de tudo isso. Vêm usufruindo com prazer dessa multiplicidade de ofertas e da sofisticação na combinação de ingredientes e na apresentação dos pratos oferecidos nos bons restaurantes e estão muito dispostos a levar tudo isso para dentro de suas casas.
O cardápio doméstico também não é mais o mesmo, nem os cozinheiros domésticos são os mesmos. Um público diversificado e sempre crescente, de considerável participação masculina, vem disputando as vagas dos diversos cursos e workshops de culinária, cada vez mais específicos e bem ministrados que, outro importante sintoma da mudança, não estão mais restritos ao eixo São Paulo-Rio, mas acontecem por todo o Brasil.
A culinária perdeu o estereótipo de conversa de comadres e transformou-se num assunto chique, politicamente correto, parte integrante do conceito de uma vida mais saudável. Edifícios residenciais modernos incluem um espaço gourmand na planta, oferecendo uma cozinha bonita e equipada conjugada a uma sala de jantar onde "chefs" amadores costumam reunir os amigos e demonstrar seus talentos.
Roteiros eno-gastronômicos passaram a fazer parte da programação de férias. Clubs de Charuto, Champagne, Conhaque, Porto, Bordeaux, Fois Gras, Tartufo e muitas outras delícias, espalharam-se e ganham novos adeptos a cada dia. Surgiram dezenas de Confrarias de Gourmets, quase todas redutos masculinos, em que as mulheres só entram nas festas ocasionais. Cozinhar, para muitos, mais que um hobby, virou paixão.
Mas os consumidores hoje querem mais que comprar e comer, querem saber. A informação gastronômica é um dos objetos de desejo desse público faminto por conhecimento, que busca muito mais que boas receitas. Querem saber das tradições gastronômicas, da origem dos ingrediente, da história de cada refeição e o que servir como bebida. Querem saber detalhes, querem minúcias.
E estão muito certos nisso, pois o saber gastronômico, tanto quanto a degustação em padrões de qualidade, refinam o paladar, possibilitando o desfrutar pleno dos prazeres da boa mesa e estabelecendo parâmetros pessoais de análise do que realmente é bom e do que não é.
E é exatamente esse o papel do consumidor nessa história - fazer, através do seu nível de exigência, toda a engrenagem do mercado gastronômico funcionar cada vez melhor para deleite de todos os gourmands e gourmets do planeta.

Por Correio Gourmand

domingo, 2 de setembro de 2012

Projeto de Lei N. 2.079, de 2011 que regulamenta a profissão do gastrológo


CÂMARA DOS DEPUTADOS

PROJETO DE LEI N.º 2.079, DE 2011
(Do Sr. Maurício Quintella Lessa)
Regulamenta o exercício da atividade de gastrólogo e autoriza a criação do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Gastronomia.
DESPACHO:
ÀS COMISSÕES DE:
TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO; E CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA (ART. 54 RICD)
APRECIAÇÃO:
Proposição Sujeita à Apreciação Conc
lusiva pelas Comissões - Art. 24 II
PUBLICAÇÃO INICIAL
Art. 137, caput - RICD
Coordenação de Comissões Permanentes - DECOM - P_3230
CONFERE COM O ORIGINAL AUTENTICADO
PL-2079/2011
2
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Esta lei regulamenta a profissão e as atribuições do gastrólogo, estabelece os requisitos para o exercício da atividade profissional e determina o registro em órgão competente.
Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional, desde que atendidas as qualificações e exigências estabelecidas nesta lei.
Art. 3º Para os fins desta lei considera-se gastrólogo aquele que possui conhecimentos teóricos e habilidades práticas necessárias para desenvolver as suas iguarias.
Art. 4º São requisitos para o exercício da atividade de gastrólogo:
I- ter certificado de conclusão de curso superior de tecnologia ou bacharelado em gastronomia, emitido por instituições de ensino superior brasileiras, devidamente reconhecido pelo Ministério da Educação;
II – ter registro profissional de gastronomia no órgão competente.
Art. 5º São atribuições do gastrólogo:
I – receber os alimentos e acondicioná-los dentro das normas de higiene;
II – cuidar e controlar a limpeza da cozinha e da despensa antes, durante e depois dos serviços;
III – conhecer o funcionamento dos diversos utensílios presentes numa cozinha;
IV – preparar os diversos pratos e cuidar da sua apresentação, seja em porções individuais, seja em porções maiores;
V – gerenciar uma relação de venda com o cliente;
VI – confeccionar um cardápio;
VII – fazer as porções dos diversos pratos;
VIII – utilizar os instrumentos típicos de um banco de gastronomia (fatiador, balança etc.);
Coordenação de Comissões Permanentes - DECOM - P_3230
CONFERE COM O ORIGINAL AUTENTICADO
PL-2079/2011
3
IX - orientar acerca do controle de qualidade e produção de alimentos;
X - promover a pesquisa, a divulgação e o desenvolvimento dos pratos e produtos gastronômicos brasileiros;
XI – observar as normas de vigilância sanitária estabelecidas pelos órgãos públicos federais;
XII – prestar atividades de consultoria para bares, lanchonetes, supermercados, restaurantes, hotéis, e afins;
Art. 6º São assegurados ao gastrólogo:
I – piso salarial profissional fixado em instrumento normativo de trabalho;
II – jornada de trabalho compatível com a especificidade e complexidade da função.
Art. 7º Fica autorizada a criação do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Gastronomia.
Art. 8º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Justificação
Como o patrimônio cultural, a nossa gastronomia deve ser encarada, cada vez mais, como um importante fator de atração de fluxos turísticos.
Está mais do que provado que, quando visitam o nosso País, uma das imagens mais positivas que os turistas levam relacionar-se à qualidade, riqueza e diversidade de nossa cozinha.
As características marcantes da gastronomia brasileira, que queremos ver preservadas, naquilo que elas tem de mais genuíno, e nos produtos mais tradicionais que lhe servem de base, tornam-se únicas, no seio da cozinha mundial.
Sabemos que este lugar já é seu por direito, mas para que se torne efetivo aos olhos de todos, é imprescindível que a gastronomia seja regulamentada. É necessário dar-lhe a devida relevância para que possamos também preservar e promover os pratos tipicamente brasileiros.
Coordenação de Comissões Permanentes - DECOM - P_3230
CONFERE COM O ORIGINAL AUTENTICADO
PL-2079/2011
4
Por outro lado, não é demais enfatizar que a gastronomia ocupa um lugar privilegiado também na nutrição saudável que obrigatoriamente deve estar integrada aos princípios práticos da gastronomia, principalmente os relacionados ao sabor, para que as dietas calculadas e prescritas sejam bem aceitas pelas pessoas, possibilitando-lhes cultivar o saber de nutrir o paladar, o prazer gustativo e não fazendo cumprir uma penitência.
Feitas essas considerações, submetemos à apreciação de nossos pares a presente proposição, esperando que as motivações justificadoras façam merecer manifestação favorável desta Casa.
Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2011.
Deputado MAURÍCIO QUINTELLA LESSA