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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ACARAJÉ - Alimento Sagrado

Acarajé





De feijão fradinho moído, batido posteriormente com cebola ralada, água e sal e frito em azeite de dendê é feito o principal produto da culinária baiana e um dos mais importantes símbolos da cultura do Estado: o acarajé - bolinho de origem africana, apreciado por baianos e turistas que ficam encantados com o sabor, aroma, cor e a forma descontraída de degustar esta iguaria consumida nas ruas e praias da capital baiana. Frito na hora, o acarajé vem recheado com complementos: vatapá, caruru, salada, pimenta e camarão.

O acarajé é, também, um dos elementos místicos da culinária do candomblé, que pode ser explicado por um mito sobre a relação de Xangô com suas esposas, Oxum e Iansã. O bolinho representa uma das principais oferendas usadas nos rituais para os orixás, especialmente de Iansã. Este fato é de suma importância para a preservação da forma de elaboração e da cultura da comercialização deste produto em tabuleiros, pois mesmo sendo vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado, pelas baianas, como uma comida sagrada. Por isso, a sua receita, embora não seja secreta, não pode ser modificada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo. O acarajé vendido pelas baianas, entretanto, são mais carregados no tempero e mais saborosos, diferentes de quando feitos para o orixá. A forma de preparo é praticamente a mesma, a diferença está no modo de ser servido: ele pode ser cortado ao meio e recheado com vatapá, caruru, camarão refogado, pimenta e salada (feita com: tomate verde e vermelho mais coentro).

A história do acarajé se confunde com a história do Brasil. Como o principal atrativo no tabuleiro das baianas, a comercialização do acarajé teve início ainda no período da escravidão. As chamadas escravas de ganho, que trabalhavam nas ruas para as suas senhoras, desempenhavam atividades variadas, dentre elas, a venda de quitutes nos seus tabuleiros. O comércio de rua permitiu às mulheres escravas ir além da prestação de serviços aos seus senhores: elas garantiam, muitas vezes, a sobrevivência dos seus familiares. Foram importantes, também, para a criação das irmandades religiosas e do candomblé. Muitas filhas-de-santo, por exemplo, começaram a vender acarajé para poder cumprir com suas obrigações religiosas, que precisavam ser renovadas periodicamente. A venda do acarajé permanece até hoje como uma atividade econômica relevante para muitas mulheres.

O nome “acarajé” deriva do Iorubá, língua de origem africana que por sua facilidade era falada por todos no tempo dos escravos, e a composição se dá através das palavras “acará”, que significa pão, e “ajeum” que é o verbo comer.
Fonte: Correio Gourmand