Mostrando postagens com marcador azeite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador azeite. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Como aproveitar ao máximo um bom rótulo de azeite extravirgem




RIO - Companheiro da salada, do bolinho de bacalhau, da pizza e até das sobremesas, o azeite ocupa desde as mesas do botecos até as cozinhas mais grifadas da cidade. Não se sabe ao certo quem foi o primeiro a explorar o potencial gastronômico do óleo (fala-se em algo em torno de seis mil anos), mas uma coisa é certa: os brasileiros estão descobrindo os benefícios e o sabor de um bom azeite.
Mas entenda-se por bom azeite os extravirgens, que não passam por refinamento e vêm sempre das melhores frutas. O azeite de oliva das tradicionais latinhas dos botecos — resultado do refino da pior parte da safra — estão perdendo espaço na nossa “cultura geral”.
— A cada ano, o mercado de azeite no Brasil cresce na casa de dois dígitos. Mais brasileiros estão interessados no assunto, e os que já consomem querem novas experiências sensoriais — diz Asdrubal Rodrigues, da distribuidora Vila do Arouca, que em outubro começou a importar rótulos de extravirgens portugueses.
Assim como os vinhos, há diversos tipos no mercado e outros tanto modos de utilização, o que deixa o consumidor confuso. Para o sommelier de azeites Marcelo Scofano, existe boa vontade dos consumidores, mas a desinformação ainda pesa. Por isso, ele costuma organizar quinzenalmente em sua escola de gastronomia, na Lapa, Rio de Janeiro, um encontro de degustação e harmonização.
— Para cada tipo de azeitona há uma utilização, e a harmonização deve ser feita por semelhança. Se eu vou comer um prato condimentado, devo optar por um azeite forte, picante e amargo. Se eu for comer uma salada verde e colocar esse mesmo rótulo forte, nem vou sentir o gosto das folhas — ensina Marcelo.
Aliás, picante, amargo e frutado são os três atributos de um azeite. O prevalecimento de uma dessas características vai depender do tipo da azeitona, da forma como ela foi colhida, do clima, do tipo de solo... Por isso, quanto mais cuidadosa for a produção, mais saudável (e saboroso) será o produto final.
Mas como saber de tudo isso? Há alguma dica no rótulo que dê essas informações? Marcelo diz as informações não são tão esclarecedoras quando o consumidor não é um expert em azeitonas. Então, o jeito é testar, testar...
— Não adianta, é na tentativa e erro. É preciso provar para “ensinar” a nossas papilas gustativas — diz Marcelo.

Não dê bola para a acidez

Aquela história de “quanto mais próxima do zero for a acidez de um azeite, mais gostoso ele será” é um grande mito, segundo Marcelo Scofano. A informação realmente importante sobre esse assunto é que os rótulos de extravirgem têm acidez entre 0% e 0,8%. E ponto!
— Não há diferença palatável entre um produto 0,3% e 0,5%. Esse número tem significado apenas químico. A gente não consegue sentir a diferença — explica Marcelo.
O modo como armazenamos a garrafa, a quantidade de luz e calor a que ela está exposta, tudo isso pode mudar a acidez indicada na embalagem. Aliás, a forma como guardamos o azeite é extremamente importante para conservar seu sabor. Colocar perto do fogão, por exemplo é um erro crasso, diz Marcelo.
— De jeito nenhum devemos expor o óleo ao calor do fogão, do microondas, ou de qualquer outro eletrodoméstico. O ideal é guardá-lo no fundo do armário, longe da luz, na mesma garrafa escura em que ele foi envasado.
O produto deve ser consumido por até um mês depois de aberto. E não vale ficar guardando por muito tempo, não!
— O ideal é comprar e usar logo, por um mês. Depois desse tempo, ele já fica com o sabor muito alterado — diz Marcelo. — Mas não é preciso jogá-lo fora. Ele faz o papel de óleo na panela perfeitamente. Depois de aquecido, seu sabor não será mais o mesmo, mas com certeza é muito mais saudável que os usuais produtos de fritura.
                                                                                
E de quebra ... uma receitinha

No início da matéria estava escrito que o azeite é companheiro da sobremesa. Causou estranhamento? Não tenha medo, um óleo delicado ou até mesmo os mais fortes que já têm um pouco mais de um mês de uso caem muito bem com sorvetes cremosos, tortas de chocolate e brigadeiros. Anote a receita de Marcelo Scofano:
- Prepare raspas de laranja ou limão siciliano e coloque-as no fundo de um pirex. Cubra com um dedo de azeite e deixe descansar por uma hora. Depois é só colocar em cima da sobremesa e aproveitar.

Fonte: http://ela.oglobo.globo.com/vida/como-aproveitar-ao-maximo-um-bom-rotulo-de-azeite-extravirgem-7383592