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segunda-feira, 18 de março de 2013

A África do Sul mostra suas marcas, que vão além da casta-símbolo do país e abrangem um moderno mercado produtor





Embora tradicionalmente minhas palestras sejam sobre vinhos portugueses, em especial o Vinho do Porto, o qual estudo há mais de quatro décadas, nesta edição fui surpreendido com um pedido para falar sobre os vinhos da África do Sul. Iniciei a apresentação abordando alguns detalhes da história do vinho no continente africano e, claro, alguns números: caso do consumo atual de 7 litros per capita, além dos 6.000 diferentes rótulos produzidos por lá em um moderno parque industrial que abriga mais de 600 vinícolas.

Embora a uva mais cultivada na África do Sul seja a Chenin Blanc, também conhecida como Steen, o vinho mais emblemático do país é o oriundo da casta Pinotage. Disseminada pelo professor Abraham Perold a partir de 1925, a cada dia ganha mais adeptos pelo mundo graças a seu particular aroma e à cor retinta de seus vinhos.

No Mesa Ao Vivo, primeiro foi degustado um Nederburg The Winemaster’s Reserve Chardonnay 2010 (Casa Flora/Porto a Porto, R$ 37), de cor amarelo intenso, que compôs bem outras duas virtudes dessa cepa: aromas minerais e de frutas tropicais, além de acidez correta. Em seguida, um Cabernet Sauvignon da linha Club des Somellières (R$ 28), uma etiqueta privada que pertence ao grupo Pão de Açúcar. Como é praxe, esse vinho mostrou uma boa relação custo-benefício, tratando-se de um rótulo para novos apreciadores.

Na sequência, uma bateria com quatro Pinotage foi à prova, sendo três da safra 2010 e um do ano de 2007. A ordem da degustação foi a seguinte: Pinotage Club des Sommelières, um tinto maduro e elegante (R$ 28); Obikwa Pinotage 2010 (Interfood, R$ 36,90), um vinho mais pujante ao olfato; Nederburg The Winemaster’s Reserve Pinotage 2010 (Casa Flora/Porto a Porto, R$ 42), vinho com estágio em barricas de carvalho que contribuíram para o aroma com notas de baunilha e de frutos vermelhos; e, por último, Beyerskloof Pinotage Reserve 2007 (Maison des Caves, R$ 56), um vinho com corpo firme e aromas que lembram especiarias. Na boca, um longo retrogosto – um de seus melhores atrativos. 

Sensitivos
A prova foi acompanhada por seis integrantes do grupo Aromas do Vinho (aromasdovinho.com.br), formado por deficientes visuais que são capitaneados pela empresária, enófila e sommelière Daniella Romano. Desde 1998, Daniella leva sensitivos a decifrar tintos e brancos pelo aroma e pelo paladar.



*Carlos Cabral estuda vinhos há 43 anos. É consultor e um apaixonado pelo tema.


Fonte: Revista Prazeres da Mesa.